Tenho desejo.
Desejo de amor, amizade, afeto, carinho, de voltar a andar descalça, na chuva, cabelo molhado, sem chapinha.
Desejo de voltar ao riso sem compromisso, sem intenção, malicioso e inocente.
Desejo de namorar, sem casar, sem compromisso de viver um amanhã certinho, regrado, limitado.
Tenho desejo do aroma do campo, do sal da praia, do vento da estrada. Ah! Desejo de viajar, todas as viagens sãs, sem nóia ou delírio. Viagens de verdade, não ilusórias.
Acordar com cheio de café de Ibitipoca, numa ótima companhia.
Desejo de uma ótima companhia. Onde estão aqueles velhos amigos? Gordos, casados, chefes de família.
Onde estão os novos amigos? Não os fiz, não tive tempo.
Só tive tempo pro trabalho, marido, filhas, cachorros, papagaios e canários.
Agora tenho desejos antigos ressuscitados nos novos sonhos, desejos guardados nas caixinhas do armário do casamento desfeito. Até abrir todas as caixinhas e reavivá-los....
Mas ainda bem: tenho os desejos, todos os desejos de quem tem amor pela vida, pela liberdade, pela alegria de todos os gostos e sabores que ela revela. Gosto de pão doce, sem medo da celulite, sorvete de flocos na praça da praia, sol, vento, mar, poeira do asfalto de Manilha. Isto me lembra Búzios e a rua das Pedras. Isso me lembra que preciso retomar a idéia das viagens. E também me relembra a idéia de que preciso arrumar um namorado pra viajar comigo. Eis o problema que me impede: cadê o namorado sem nóia, sem vontade de parecer sério, mas sério na vontade de compartilhar, abraçar, amar, ser feliz????
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